ENCUNHAMENTO DE ALVENARIA

28/03/2025 10h10 - Atualizado em 28/03/2025 10h09 por contatolalm

O encunhamento é uma etapa crucial para evitar o surgimento de manifestações patológicas em alvenarias, como fissuras e trincas. Diante disso, é preciso tomar alguns cuidados na sua execução e na escolha dos seus materiais para evitar grandes problemas.

O QUE É ENCUNHAMENTO?

 

O encunhamento corresponde ao preenchimento do espaço entre a última fiada da alvenaria de vedação até Vigas e/ou Lajes. Desse modo, ele é responsável pela interação da alvenaria com a estrutura, fazendo a ligação desses dois elementos de comportamentos diferentes. 

Em um sistema tradicional de concreto armado, sabemos que a alvenaria de tijolo cerâmico é utilizada como opção para vedação e divisão dos ambientes (as famosas paredes).

Por outro lado, os elementos estruturais (vigas, lajes e pilares) são responsáveis por resistir aos carregamentos e por “guiá-los” até as fundações.

Perceba que esses elementos apresentam funções diferentes, assim como comportamentos distintos em relação a deformações, resistência e dilatações térmicas.

Por esse motivo, o encunhamento surge como uma técnica para equilibrar essas diferenças, permitindo a deformação natural do elemento estrutural sem comprometer a alvenaria de vedação.

Atenção a nomenclatura…

Vale destacar que esse processo só recebe esse nome quando a ligação é feita entre a alvenaria e vigas e/ou lajes. Destacamos esse ponto porque a ligação entre alvenarias e pilares é feita por meio de telas ou barras de aço.

 

POR QUE FAZER O ENCUNHAMENTO?

 

Simples, o objetivo principal é evitar manifestações patológicas! Vamos entender um pouco melhor como isso funciona. Toda estrutura se movimenta e acaba se deformando naturalmente após um determinado tempo, correto? 

Pois bem, agora imagine uma viga sobre uma alvenaria sem encunhamento (figura A). Não haveria espaço suficiente para a viga se deformar, o que ocasionaria a transmissão dos esforços (cargas) da viga para a alvenaria.

O resultado? Fissuras e trincas na alvenaria. Na imagem abaixo, podemos perceber como esse processo ocorre. Veja que, quando o encunhamento é executado, a viga se deforma sem prejudicar a alvenaria, transmitindo de forma correta seus esforços para os pilares.

 

TIPOS DE ENCUNHAMENTO

Atualmente, novas técnicas construtivas e materiais têm sido empregados para a execução do encunhamento. 

Dentre todas as técnicas disponíveis para esse processo, podemos destacar: tijolo maciço a 45°, argamassa expansiva, poliuretano expandido, esferas de isopor, cortiça ou isopor, e placas de Neoprene.

As técnicas de encunhamento evoluíram ao longo do tempo conforme as boas práticas construtivas. Dessa forma, materiais flexíveis e versáteis passaram a ser utilizados, prevendo a transferência lenta e gradual de cargas.

Apesar da variedade de técnicas, todas são executadas com o mesmo objetivo: facilitar o alívio de tensões dos elementos estruturais após sua deformação. Assim, evitam que as cargas sejam transmitidas diretamente para as alvenarias.

Sabbatini (2002) sugere uma classificação para os tipos de técnicas utilizadas para o encunhamento, conforme a tabela abaixo.

 

Encunhamento com Pré-Tensionamento: Esse tipo de encunhamento é utilizado quando se tem o objetivo de melhorar o contraventamento da estrutura ou de fixar a parede em uma estrutura indeformável.

Encunhamento sem Pré-Tensionamento: Essa técnica é recomendada para estruturas mais deformáveis. Nesse sentido, a fixação da alvenaria à estrutura de concreto é garantida pela deformação lenta da estrutura, juntamente com a aderência inicial da argamassa de encunhamento.

Para garantir o seu correto funcionamento, utilizam-se materiais de baixo módulo de elasticidade, alta aderência inicial e alta plasticidade. Dessa forma, a probabilidade de surgirem fissuras devido às deformações impostas pela estrutura diminui consideravelmente.

Encunhamento Plástico: Dentre as técnicas de encunhamento, essa é a que apresenta o menor nível de tensões nas alvenarias após a fixação com a estrutura. Por conta disso, é o tipo de encunhamento com menor risco de surgimento de fissuras. Sua utilização é recomendada para estruturas muito deformáveis e em paredes rígidas.

 

 

QUANTO TEMPO APÓS A EXECUÇÃO DA ALVENARIA DEVE-SE FAZER O ENCUNHAMENTO?

 

De acordo com a NBR 8545, o intervalo de execução do encunhamento e o término da alvenaria é de no mínimo 7 dias. 

Analisando a bibliografia, segundo Thomaz et al. (2009), esse intervalo deve ser de, no mínimo, 10 dias. Em contrapartida, Sena et al. (2020) afirmam que o ideal é que seja feito 14 dias após a elevação da alvenaria. 

Lembrando que, o encunhamento deve ser executado dos andares superiores para os inferiores. Em edifícios de múltiplos pavimentos, pode-se considerar grupo de três pavimentos para execução do encunhamento, de cima para baixo e somente quando a alvenaria dos três pavimentos acima já estiver elevada.

Explicando melhor, se você estiver construindo um prédio de 6 andares, pode realizar o encunhamento do 3° até o 1° andar (nessa ordem), após executar a alvenaria do 4° ao 6° andar. Obviamente, respeitando os intervalos de tempo mencionados anteriormente.

Mais do que uma referência de tempo, é preciso entender por que devemos esperar esse período para executar o encunhamento.

Basicamente, o objetivo de não realizar o encunhamento imediatamente após o término da alvenaria é aguardar a retração da argamassa e a deformação natural da estrutura.

Se isso não for respeitado, pode resultar em tensões acumuladas que são transmitidas para a alvenaria de vedação na região do encunhamento. Quando essas tensões excedem a capacidade da alvenaria de acomodar os movimentos, podem surgir fissuras e trincas.

Portanto, é essencial respeitar os intervalos adequados entre as etapas de concretagem para permitir que a estrutura se acomode gradualmente e evite o surgimento de manifestações patológicas.

 

CUIDADOS A SEREM TOMADOS!

 

Depois de toda a importância que abordamos sobre esse procedimento, você acredita que a etapa de encunhamento muitas vezes é ignorada ou subestimada?

“Não vou fazer encunhamento, tá beleza?“

Essa frase é dita com muita frequência, principalmente por aqueles profissionais que vivem de intuição. Os famosos “já fiz isso um milhão de vezes e nunca deu problema!“ 

Se a sua intenção é entregar uma edificação com fissuras, vá em frente, não faça o encunhamento! Mas, confie em mim, não caia nessa! Execute o encunhamento e evite uma dor de cabeça desnecessária.

Não adianta brigar com a literatura e as boas práticas construtivas. Se você não fizer o encunhamento, ou se o fizer de maneira inadequada, manifestações patológicas certamente surgirão na sua alvenaria.

As manifestações patológicas mais comuns observadas na zona de encunhamento são fissuras, deslocamento de revestimento e, em casos extremos, esmagamento de blocos

.

RECOMENDAÇÕES PARA EXECUÇÃO DO ENCUNHAMENTO:

1 – Quando for utilizada argamassa expansiva ou poliuretano, recomenda-se deixar um espaço de 2 a 4 cm entre a alvenaria e a estrutura.

2 – Ao usar tijolo maciço para o encunhamento, é preciso deixar pelo menos um espaço de 15 cm entre a alvenaria e a estrutura. Além disso, é recomendável que os tijolos sejam colocados com uma inclinação de 45°.

3 – O intervalo de execução do encunhamento e o término da alvenaria é de no mínimo 7 dias (NBR 8545) ou entre 10 a 14 dias (Bibliografias). Basicamente, o objetivo de não realizar o encunhamento após o término da alvenaria é para aguardar a retração de sua argamassa e a deformação da estrutura.

4 – O local de aplicação da argamassa ou do poliuretano deve ser limpo e umedecido antes da aplicação.

5 – O encunhamento deve ser executado dos andares superiores para os inferiores, permitindo as deformações naturais da estrutura do primeiro pavimento possam acorrer a tempo.

6 – Não utilize blocos excessivamente frágeis. Respeite a carga de compressão mínima de 2,0 MPa para blocos vazados de concreto simples, visando evitar o seu esmagamento.

Por se tratar de técnicas simples, fica evidente que são práticas bem mais em conta do que ter que fazer consertos das patologias que surgem, tornando-se imprescindível que as construtoras se atentem cada vez mais para a qualidade de sua execução.

 

Esperamos que com esse artigo você tenha sanado todas as dúvidas sobre o encunhamento de alvenarias e os cuidados necessários nesse importante passo da obra.

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Fonte: https://engsette.com.br/


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